Mente Ansiosa



Sabemos que ansiedade diminui naturalmente se não lhe dermos atenção, variando muito entre situações e de uma pessoa para a outra. Há 8 aspectos que fazem ansiedade permanecer, quando pensamos sobre alguma ameaça ou perigo, vulnerabilidade, impotência, pensamentos e imagens automáticos que exageram a probabilidade e a severidade de ameaças ou perigos em situações cotidianas comuns fazem a ansiedade persistir.

Existe um padrão nas pessoas ansiosas a pensar que são fracas, impotentes e vulneráveis, e por isso subestimando sua capacidade de lidar com suas preocupações. Quando ansiosas, as pessoas tendem a cometer uma série de erros de pensamento e assim permanecem seletivamente concentradas em ameaça e perigo. Ao longo do tempo, desenvolvem uma intolerância à ansiedade e aos seus sintomas físicos e um senso de incerteza, tornando-se “ansiosas a respeito de estarem ansiosas”. Muitas vezes não toleram a incerteza e sentem grande desconforto em situações novas ou não familiares. Utilizando Fuga e evitação como estratégias de enfrentamento ou também utilizam estratégias de busca de segurança inadequadas para obter alívio imediato da ansiedade e restabelecer uma sensação desconforto e segurança em paralelo com muitas preocupações.


Vamos falar sobre aspectos que fazem sua ansiedade persistir:

Pensamento catastrófico automático

Crenças de impotência sobre a ansiedade

Erros cognitivos sobre ameaça/perigo

Sensibilidade aumentada ao sentimento de ansiedade

Baixa tolerância pelo desconhecido e pela incerteza

Dependência de fuga e evitação

Busca de calma e segurança

Preocupação excessiva



Pensamento catastrófico automático

Os pensamentos catastróficos tendem a acontecer muito rapidamente, de maneira automática, e involuntária quando estamos ansiosos, pois nosso cérebro automaticamente examina o ambiente em busca de sinais de ameaça – o que chamamos de sinais de perigo. Quando frequentemente pensamos que uma ameaça ou um perigo é muito provável de acontecer com você e seus entes queridos ou que o pior vai acontecer, chamamos este tipo de pensamento perigoso de catastrofização, ou seja, fazer tempestade em copo d’água. Na ansiedade tendemos a interpretar estes fatos como ameaçadores por pensarmos perigosamente (catastrofização), com isso tendemos a superestimar, exagerar ou ser irrealistas sobre a probabilidade de que a pior das hipóteses (a catástrofe) vá ocorrer.


Crenças de impotência sobre a ansiedade

Quando se está ansioso, é difícil acreditar em si mesmo, sendo comum sentir-se vulnerável, impotente e incapaz de lidar com uma situação de maneira efetiva. Acreditando que carece das habilidades necessárias para lidar com a situação ansiosa, duvidando do seu próprio respeito e tendo um profundo senso de incerteza, intensificando seu sentimento de vulnerabilidade. O problema da ideia de vulnerabilidade na ansiedade é que ela geralmente envolve uma distorção da realidade; você não é tão fraco e incapaz de enfrentar a situação como pensa.


Erros cognitivos sobre ameaça/perigo

A ansiedade faz isso; ela distorce nosso processo de pensamento e nos deixa totalmente concentrados em ameaça, perigo e impotência. E este estreitamento do pensamento é extremamente importante para nossa sobrevivência quando existe um perigo real. Quando ansioso, você provavelmente não está consciente deste estreitamento, mas seu modo de ver a realidade está realmente distorcido pois sua atenção está exclusivamente na ameaça e no perigo, impossibilitando que você considere interpretações menos ameaçadoras ou inofensivas das situações. Existem alguns erros cognitivos ou distorções mais comuns na ansiedade:

· Catastrofização (superestimação de ameaças e perigos) (Concentrar-se no pior desfecho possível em uma situação de ansiedade)

· Tirar conclusões precipitadas (Esperar que um desfecho temido seja extremamente provável)

· Visão em túnel (Enfocar somente informações ligadas à possível ameaça, ignorando evidências de segurança) Miopia (Tendência de presumir que existe uma ameaça iminente)

· Raciocínio emocional (Supor que quanto mais intensa a ansiedade, maior a ameaça real

· Pensamento de tudo-ou-nada (Ver ameaça e segurança em termos rígidos absolutos, como presentes ou ausentes).


Sensibilidade aumentada ao sentimento de ansiedade

É compreensível que você se sinta frustrado e chateado com a ansiedade. Quando você vem tendo repetidas vivências de ansiedade intensa durante muitos meses, mesmo anos. Com o passar do tempo, as pessoas desenvolvem algumas ideias ou crenças sobre a ansiedade. Muitas tendem a pensar catastroficamente em relação à ansiedade, desenvolvendo uma intolerância à própria ansiedade, gerando um

medo específico das sensações físicas da ansiedade. (tensão, palpitações do coração e da falta de ar) acreditando que estes sintomas podem ter sérias consequências negativas, respondendo rapidamente para evitá-la a todo custo.


Baixa tolerância pelo desconhecido e pela incerteza

A intolerância à incerteza, ocorre quando você acredita que é importante ter o máximo possível de certeza sobre o futuro e evitar situações novas ou desconhecidas, então é provável que você fará tudo que puder para fugir ou evitar situações ansiosas.


Dependência de fuga e evitação

Ânsia de fugir do que você pensa que está causando sua ansiedade e depois evitar qualquer contato com ela é uma reação natural ao sentir-se ansioso, pois a fuga e evitação são duas das estratégias mais frequentemente utilizadas para controlar a ansiedade, superficialmente elas parecem ser a opção mais segura quando somos tomados pela ansiedade. Rapidamente aprendemos quais objetos, situações ou circunstâncias disparam nossa ansiedade e depois evitamos o máximo possível futuro contato com estes gatilhos. O problema da fuga e a evitação, que elas impedem que a ansiedade diminua naturalmente, impedindo que você aprenda que o pensamento perigoso que causa a ansiedade é falso. Elas têm um alto custo pessoal por limitarem o que você pode fazer, aonde pode ir, com quem pode estar. Quando você depende da evitação, você acaba se acreditando fraco, dependente ou inadequado. Repetidas fugas e evitação tendem a confirmar crenças de que nossos pensamentos perigosos representam ameaças reais e que somos fracos e vulneráveis demais para suportar nossos medos.


Busca de calma e segurança

A Busca de segurança comportamental, emocional e cognitiva, também fazem manutenção da sua ansiedade, alguns exemplos mais comuns: carregar medicação ansiolítica, levar consigo telefone celular para pedir ajuda quando ansioso,

Ser acompanhado por amigo ou familiar em situações ansiosas, manter água e outros líquidos prontamente disponíveis, iniciar relaxamento ou respiração controlada, deitar, pensar em algo mais positivo ou tranquilizador, rezar, buscar proteção divina, criticar-se por sentir-se ansioso, etc.

O que há de errado em buscar segurança? Tentar sentir-se calmo e seguro parece uma boa ideia, mas existem desvantagens na busca de segurança como: Conseguir processar sinais de segurança do que sinais de perigo ou ameaça. A ênfase é na redução imediata do medo, o que significa que você pode terminar dependendo de estratégias de busca de segurança inadequadas. você não consegue aprender que sua percepção de ameaça ou perigo é falsa. Você também reforça o desejo irrealista de eliminar qualquer risco. Podendo ser mais difícil saber se uma situação é segura do que determinar se ela pode ser perigosa.


Preocupação excessiva

A preocupação é uma característica muito comum da ansiedade. Aprendemos que a preocupação é um problema na ansiedade porque: Ela o mantém concentrado em pensamentos de ameaça e perigo. Ela reforça um senso de impotência pessoal sendo difícil de controlar, alimentando um senso de incerteza porque está sempre orientada ao futuro, e o futuro é impossível de saber.

Como fazer a ansiedade reduzir e sair de um estado permanente? Quando você pensa sobre risco aceitável como por exemplo “Dirigir é um risco aceitável que milhões de pessoas correm diariamente em nossa sociedade” e não esquecendo da sua capacidade pessoal “Posso lidar com esta situação”. Houve identificação com esse texto? Não deixe de procurar ajuda profissional, não faça diagnósticos por conta própria, quanto mais você vier a conhecer sobre sua vivência particular com a ansiedade, você estará ao rumo à melhora. lembre-se você não é sua ansiedade.


Psicóloga | Especialista em psicologia clínica - Terapia Cognitivo Comportamental | Especializando em neuropsicologia | Telepsicologia | AtendimentoPsicológicoOnline | CRP08/29039-04199855-5683 |


Referências: Beck, A.T., Clark D. A. Vencendo a ansiedade e a preocupação. Porto Alegre: Artmed, 2012.

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